BLOCO DAS CARMELITAS E O CARNAVAL DE RUA NO RIO

 

O Bloco das Carmelitas saiu pela primeira vez no segundo semestre de 1990 para homenagear Laurinda Santos Lobo, socialite cuja casa abrigou as mais badaladas festas do Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, nas primeiras décadas do século XX. Composto inicialmente por peladeiros que jogavam futebol no terreno ao lado da referida casa de Laurinda (hoje o Parque das Ruínas), no ano seguinte o bloco já abriu e fechou a folia no bairro, com duas saídas – uma na sexta que antecede o carnaval e outra na terça-feira gorda –, o que se repete até hoje.

Como Santa Teresa surgiu a partir da fundação do Convento das Carmelitas, os foliões e amantes do bairro deram o nome de Carmelitas ao bloco e criaram a lenda de que, todo ano, uma freira pula o muro do convento para brincar o carnaval na sexta e volta para a clausura na terça, virando tradição no bloco homens e mulheres vestirem hábitos de freira na cabeça, para que a “fujona” possa brincar em paz, sem ser facilmente reconhecida. Além das fantasias de freiras, passou a fazer parte do bloco também uma grande boneca, que se apresenta para o público como a carmelita mais animada.

Quando ainda não dispunha de patrocinadores, o bloco se mantinha através da venda de camisetas. Para criar essas camisetas, convidou cartunistas, designers e artistas plásticos, entre os quais se incluem Aliedo, Cassio Loredano, Jô Oliveira, Selarón, Ana Durães e Marcia Cisneiros. Com a chegada dos patrocinadores, a venda das camisetas deixou de ser determinante para o custeio dos desfiles, mas as camisetas continuam a ser parte importante de nossa identidade.

Pela maneira irreverente e bem-humorada de produzir cultura, o Carmelitas é considerado um dos mais charmosos blocos da cidade e parte importante da história da folia carioca. É também um dos blocos com mais retorno de mídia.

No início dos anos 2000, o carnaval de rua do Rio de Janeiro cresceu extraordinariamente e o Carmelitas, preocupado com os problemas que o sucesso começou a trazer, se uniu a outros blocos para fundar a Sebastiana, Associação de Blocos do Centro, Zona Sul e Santa Teresa, pioneira na colaboração com as autoridades e associações de moradores para que o carnaval não perdesse o charme nem roubasse a paz das ruas que o abrigavam. Tal demonstração de responsabilidade chamou a atenção também de empresas e meios de comunicação, que passaram a apoiar os blocos sobrecarregados com custos inimagináveis quando eles surgiram.

Sem perder a espontaneidade, hoje o Carmelitas e os outros blocos da Sebastiana realizam desfiles organizados e aproveitam para dizer com bom humor o que pensam sobre a sociedade e a cidade e para dar exemplos de sustentabilidade, como a proposta do Carnaval Limpo, que consiste em contratar equipes para recolher o lixo acumulado durante os cortejos.

 

 

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